A Doença Diarreica Aguda (DDA), cujo nome popular é “virose da mosca” devido à incidência do inseto no período chuvoso, fez o Ceará registrar 160.142 notificações do início do ano até o último mês de abril. Em igual intervalo do ano passado, eram 177.716 casos, conforme indica o boletim epidemiológico da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), que atualiza os registros semanalmente. Apesar da redução tímida de 9,9% no número de ocorrências, a patologia ainda demanda atenção das autoridades para os novos diagnósticos.

É um número muito alto. E mesmo com a redução do último ano, ainda existe uma preocupação com relação aos municípios que têm muitos casos e também com os que não têm, porque a gente sabe que ela é uma doença endêmica do nosso Estado. Nós temos o cuidado de monitorar todas as regiões”, explica a assessora técnica do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvep), Caroline Muniz.

Entre os 184 municípios cearenses, Fortaleza lidera a estatística com 16.831 casos, ficando à frente de Maracanaú (8.339), Sobral (4.872), Maranguape (4.827) e Horizonte (4.510). Já as cidades com menor contagem são Jati (6), Arneiroz (9), Ipaporanga (55), Potengi (56) e Salitre (60), todas situadas no interior. Não houve nenhuma localidade do Estado sem notificação da doença.

Ainda segundo a publicação de doenças de notificação compulsória da Sesa, nos quatro primeiros meses deste ano, o Ceará acumula 14 surtos de DDA, total 30% menor se comparado a igual período de 2018, quando foram contabilizados 20. Em 2019, Santana do Cariri e Maranguape tabularam a maior quantidade de surtos, tendo cinco registros cada uma. Crato (2), Iracema (1) e Choró (1) completam a lista de municípios que também tiveram surtos de diarreia.

“Nós consideramos um surto quando tem mais de três pessoas em um mesmo ambiente com os sintomas repetidos, sendo ou não associados a algum alimento”, justifica Caroline Muniz, salientando também que “cerca de 80% dos surtos são domiciliares, porque estão relacionados aos alimentos ou ao mau condicionamento deles”.

Sintomas

A estudante Gabriela Viana, de 20 anos, foi a única da sua residência a ter a Doença Diarreica Aguda. No fim do mês de março, as primeiras cólicas abdominais evoluíram rapidamente com o aparecimento de outros sintomas: febre, tontura e ânsia de vômito, que a fizeram procurar ajuda na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Os primeiros minutos de conversa com a médica que a atendeu foram suficientes para a confirmação da fragilidade do quadro de saúde.

“Quando a médica me olhou, disse que era a ‘virose da mosca’, Foi esse o termo usado por ela. Decidi ir porque o enjoo já estava muito forte e, no dia do meu atendimento, à noite, tinha muita gente. Ela própria falou que eu já era a 20ª paciente a chegar com os mesmos sintomas. Só fui melhorar depois de uns cinco dias”, lembra. Por ser uma doença sazonal, isto é, típica na estação chuvosa, a DDA tem elevação dos casos.

Ao mesmo tempo, a proliferação de moscas contribui para o surgimento de novas ocorrências, como explica Caroline Muniz. “As pessoas acabam associando as moscas com a doença porque elas aparecem mais nessa época e contaminam o meio ambiente como um todo”.

Prevenção

Contudo, o inseto não é o único agente transmissor da virose. A enfermidade pode ser adquirida também através de contato com terceiros, por mãos contaminadas ou pelo consumo de água e alimentos infectados, além do uso de objetos, como utensílios de cozinha, acessórios de banheiro e equipamentos hospitalares contaminados, sendo esta última a forma indireta de propagação da doença diarreica.

De acordo com a médica infectologista do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), Melissa Soares Medeiros, a ‘virose da mosca’ é facilmente prevenida desde que os cuidados básicos virem hábitos diários.

A prevenção sempre é a melhor conduta. É preciso ter muita atenção com água contaminada, evitando uso de líquido de origem não fidedigna, como em locais que não são muito higiênicos. É preciso também sempre lavar as mãos e os alimentos antes de comer, principalmente, frutas e verduras, além dos cuidados pessoais”, orienta a médica que fala da importância de manter o corpo hidratado. “Se você hidratar bastante, consegue evitar até que o paciente precise procurar uma emergência hospitalar”.

Tantas recomendações assim começaram a fazer parte da rotina da universitária Gabriela Morais com maior vigor somente após conseguir a cura da doença, que a fez mudar de hábitos e estimular toda a sua família. “Realmente não me importava com algumas coisas, mas depois da virose que me deixou com um mal-estar muito grande, passamos a ter bastante cuidado com a higiene de tudo aqui na minha casa”.

Via Diário do Nordeste

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Jornalista Ricardo Cavalcante

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