Além dos antigos residentes, o desabamento de um prédio na Maraponga afetou também a rotina da população que vivia em casas no entorno do edifício. No total, 15 imóveis já foram interditados desde a queda parcial. Entre os afetados, estão as famílias de Vanessa Bezerra e ‘Seu Chico’, que atualmente dividem um espaço de apenas dois cômodos, área cedida por um parente da família.

Seu Chico, que é sogro de Vanessa, perdeu não apenas o local onde morava, mas também o local onde trabalhava. Na residência destruída, o idoso administrava uma oficina de consertos de motos e bicicletas, a única forma de renda que ele possuía. O apoio, atualmente, vem principalmente de um sobrinho, que cedeu dois cômodos da própria casa para abrigar as famílias desamparadas.

“Eu estou vivendo aqui porque não tenho outra opção, tenho que ficar por aqui mesmo. Agora, eu queria que alguém aparecesse para ajudar a gente”, destaca Francisco, que divide o espaço com a esposa, o filho (marido de Vanessa) e dois netos — além da nora.

“Está tudo muito difícil. Se não fosse ele (sobrinho) para ceder esse pedaço aqui para a gente, nós ainda estaríamos no meio da rua. Porque no dia que aconteceu, a gente ficou até 12 horas da noite na calçada esperando resposta ou aparecer alguém para dar ajuda”, comenta a diarista Vanessa. O local tem sido um refúgio mas não deixa de apresentar inúmeras dificuldades. “É muito pequeno, é quente. A minha filha tem problema de alergia e aqui não é cimentado. O reboco (das paredes) está muito deteriorado, aí fica difícil para a gente”, lamenta a diarista.

O cenário para as pessoas que não residiam dentro do imóvel se apresenta ainda mais complicado com a falta de respostas para o futuro. A advogada Ana Carolina Abreu, da imobiliária Almeida Abreu, não soube precisar o que vai ser feito às famílias que moravam no entorno do prédio. “Eu estou conversando com os moradores mas ainda não tenho informações exatas para passar”, comentou a advogada.

Problemáticas

A rotina das duas famílias foi completamente abalada com a mudança repentina. Enquanto saíam de casa e tentavam não ser atingidos com o desabamento, Vanessa conseguiu recuperar poucos pertences da residência. Porém, muitos itens, como documentos pessoais, móveis e eletrodomésticos, seguem dentro do imóvel isolado.

“O resto (que a gente tem hoje) foi tudo que o pessoal doou. Os próprios moradores estão doando roupa, calçado, porque saímos de chinela e com a roupa do corpo. O resto está tudo lá”, revela a diarista que tem encontrado na solidariedade vizinha uma forma de alento nos últimos dias. Do poder público, ela revela ter recebido apenas uma cesta básica, dois colchonetes e uma rede de balanço (cedidos pela Defesa Civil), onde dormem alguns membros da família. Em um colchão de solteiro também doado, Vanessa compartilha com a filha mais nova o desafio em buscar descanso à noite.

“Desde que aconteceu, a gente não dorme direito porque fica apavorado. Se terminar de cair, vai derrubar o resto que tem”, comenta a diarista que dobra a jornada com o papel de mãe e fortaleza para duas crianças que têm ido à escola com roupas, calçados e itens doados pela comunidade vizinha.

Para a família de Vanessa, a tristeza com o ocorrido se faz ainda mais cruel, pois o sonho da casa própria havia se concretizado há pouco tempo.  “Eu terminei agora, só estava há  dois meses com minha casinha perfeita, bonitinha. Só faltava a frente para rebocar mas aconteceu isso aí…”, lamenta a diarista que suplica por ações e respostaspara resolver os últimos problemas.

Via Diário do Nordeste

Jornalista Ricardo Cavalcante
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