Saber como agir em situações de emergência é uma necessidade. Trabalhar com o imprevisível requer estratégias, principalmente quando se trata de salvar uma vida. E foi com a intenção de possibilitar o auxílio rápido que surgiram os procedimentos básicos de primeiros socorros. No entanto, profissionais da saúde e o corpo de bombeiros alertam que, para todos os casos, deve-se buscar atendimento especializado.

O hospital Instituto Doutor José Frota (IJF) recebe a maior ocorrência de acidentes relacionados a quedas, de altura a acidentes no trânsito, com 11.328 casos só em 2018. A coordenadora do núcleo de fisioterapia do IJF, Ivone Benevides, explica que isso ocorre devido ao comportamento de risco que é comum na sociedade brasileira. “Hoje há cada vez mais casos de mortes de pessoas que, em lugares altos como serras, vão tirar selfies e acabam caindo”, ilustra a fisoterapeuta.

Por outro lado, em casos de torções e fraturas expostas o primeiro passo é imobilizar o local da lesão e evitar “endireitar” a fratura ou colocar o osso no lugar. Se o incidente aconteceu em ambiente doméstico e demanda urgência no atendimento, não há problemas em se dirigir até o hospital utilizando transporte particular. Recomenda-se, no entanto, o cuidado em deslocar a vítima para não agravar a lesão.

Para casos de afogamento, a melhor medida é a prevenção. De acordo com o tenente Romário Fernandes, do Corpo de Bombeiros do Estado do Ceará, “é importante que as pessoas evitem tomar banho em águas profundas e não tentem salvar vítimas se não souberem nadar”. Caso o afogamento aconteça em ambientes particulares, como piscinas, o socorrista pode retirar a vítima, colocá-la de lado para facilitar a saída da água e verificar a respiração, enquanto busca ajuda especializada.

Em casos de corpos estranhos, como alimentos, insetos e objetos engasgados, aspirados ou presos no nariz, deve-se evitar provocar o vômito ou retirá-los com cotonetes ou com outros recursos, pois é arriscado esses elementos avançarem para outras áreas do corpo. Já em casos de intoxicação, causados por picadas ou mordidas de animais peçonhentos, como cobras, aranhas e escorpiões, além de não provocar o vômito, a pessoa pode lavar a parte do corpo com água e sabonete. Em ambas as situações, é recomendado se dirigir ao hospital.

Ao se deparar com um princípio de incêndio, se o objeto em chamas não possuir conexão com eletricidade, pode-se jogar água sobre ele, que na maioria das vezes é o suficiente para conter o fogo. Caso contrário, o disjuntor deve ser desligado para cortar a passagem da energia elétrica, e então apagar o fogo com a água. Se o incêndio estiver relacionado a líquidos inflamáveis, como óleo, não é recomendado jogar água. “Nesse tipo de situação é preciso cortar o oxigênio, abafando as chamas com uma toalha molhada ou outro recurso”, sugere o tenente Romário.

Se nesse processo houver queimaduras, devido ao contato direto do corpo com o líquido quente, o primeiro socorro é colocar a parte atingida sob água corrente por mais de cinco minutos. Caso haja bolhas na queimadura ou a mesma esteja muito seca e esbranquiçada, é provável que seja uma queimadura de segundo ou terceiro grau, nessas situações o médico deverá ser consultado. Em casos de queimaduras químicas, a recomendação é lavar em água corrente por 15 a 20 minutos, proteger e, imediatamente, procurar assistência médica.

Esse procedimento de lavagem também é recomendado em situações de choque elétrico, conforme sugere o chefe do núcleo de queimados do IJF, João Ribeiro Neto. Mas diferentemente das queimaduras térmicas, o choque pode causar sequelas ainda piores, como a perda do movimento. O primeiro sinal do corpo ao entrar em contato com a corrente elétrica é paralisar. Nessa situação, o primeiro cuidado é cortar a passagem de corrente elétrica pelo corpo da pessoa. E a forma mais segura para evitar que socorrista se torne uma vítima, é desligar o disjuntor. Se a vítima estiver inconsciente é necessário verificar se não houve bloqueio da respiração. Paralelamente a isso, deve-se ligar com urgência para a equipe de bombeiros.

Números de acidentes em 2018 divulgados pelo IJF:

Acidentes de moto: 7.986 casos

Corpos estranhos (engasgos e aspirações): 5.550

Queimaduras: 3.664

Intoxicação com animais peçonhentos: 4.215 até maio deste ano

Telefones úteis

Corpo de bombeiros – 193

Polícia Militar – 190

SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) – 192

Polícia Rodoviária Federal – 191

Defesa Civil – 199

Disque Intoxicação (Anvisa) – 0800-722-6001

Centro de Valorização da Vida (CVV) – 188

Jornalista Ricardo Cavalcante
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