Os casos de depressão no mundo tiveram um aumento de 18%, fazendo um  comparativo entre 2017 com pesquisas realizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) entre 2005 e 2015 .

A OMS  considera a depressão como “O Mal do Século”, uma doença silenciosa que em alguns casos difícil de ser identificada.

No Brasil cerca de 11milhões de brasileiros são sensibilizados por essa doença, de acordo com a pesquisa, os casos de depressão no mundo tiveram um aumento de 18%, fazendo um comparativo entre 2017 com pesquisas realizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) entre 2005 e 2015 .

 

A depressão não escolhe raça, gênero ou situação social é uma doença psicológica que atinge qualquer pessoa, podemos citar os caos do humorista Whindersson Nunes, do cantor Lucas Lucco ou até mesmo Padre Marcelo Rossi.

Os dados são preocupantes e nós do Pirambu News, conversamos com Elisabete Barbosa, Psicóloga, referente as principais dúvidas sobre essa doença psicológica.

Confira  entrevista a seguir:

Pirambu News: Como identificar uma pessoa que está com quadro de depressão?

Elisabete Barbosa: Primeiramente, temos que saber que a depressão é distinta de uma tristeza, sendo que a tristeza pode ser naturalmente sentida em nosso cotidiano, e passa em um determinado momento. A depressão é considerada uma doença incapacitante, inclusive muito frequente. Visto que é um transtorno de humor, sendo de causa multifatorial, com alterações psicológicas e fisiológicas, e que acontece de forma diferente para cada pessoa.Podemos identificar algumas características específicas, que estejam permanecendo por semanas ou meses, de estado intenso, estável e que causam prejuízos na vida da pessoa.

Caracteriza-se por tristeza profunda, sensação de vazio, falta de sentido, perda de energia e de interesse nas coisas que antes eram prazerosas, baixa autoestima, sentimentos de inutilidade, culpa e desesperança. Sintomas físicos podem aparecer como, dores do corpo, insônia ou sono excessivo, diminuição ou aumento do apetite. Podendo também haver ausência de sentimentos, irritabilidade, agressividade, agitação, dificuldades na tomada de decisões, na memória, concentração, raciocínio, e ideação suicida.

Estes são alguns dos vários sinais e sintomas que podem ser observados na alteração de comportamento, estando presentes é muito importante a busca de uma avaliação e diagnóstico clínico, para um tratamento contínuo

Pirambu News: A depressão tem uma faixa etária específica?

Elisabete Barbosa: Não. Ela pode ocorrer em qualquer fase da vida. Algo que necessita de uma maior atenção é a depressão na infância, pois é mais difícil de reconhece-la, é importante considerar que existe sofrimento psíquico nas crianças. Já nos idosos, pode vir a ser confundida ou ignorada devido as alterações fisiológicas, cognitivas e de personalidade próprias dessa fase. O ideal é estarmos atentos as alterações de humor, pensamentos e comportamentos, e na permanência das características já citadas, buscar uma ajuda profissional.

Pirambu News: Pessoas depressivas tem a maior tendência para cometer suicídio? Como podemos evitar?

Elisabete Barbosa: Os estudos mostram que na depressão há uma incidência elevada para o suicídio. O quadro da depressão em si é caracterizado por desesperança, desamparo e perca de sentido na vida. Ainda é bastante comum, está combinada com outros transtornos mentais, como ansiedade ou de personalidade por exemplo, assim como outras condições psicológicas como agressividade, impulsividade, uso de substâncias psicoativas, que são agravantes para o risco de suicídio.

suicídio também é multifatorial, não é decorrente apenas de uma única causa. Não podemos prever um suicídio, nem evitar todos os casos, mas através da informação podemos identificar fatores de risco e fatores protetivos, que ajudam a prevenir mais casos. É fundamental a disseminação de informação sobre esse tema, nos mais variados espaços, disponibilizar locais de tratamento, e ações de promoção a saúde.

De uma forma geral é necessário buscar ajuda profissional na área de saúde mental(psicológica/psiquiátrica). Outros pontos que podem ajudar é o resgate ou fortalecimento as redes de apoio, seja da família, amigos ou relacionamentos significativos; restringir acesso a meios letais; promover integração social, lazer e envolvimento na comunidade; práticas coletivas (esportes, atividades artísticas, culturais etc), e a possibilidade de adequação a uma melhor qualidade de vida.

Pirambu News: O uso constante das redes sociais, onde temos a cultura da vida feliz, pessoa feliz, a vida virtual sobre saindo a realidade, e a qualquer custo querendo o like. Esse tipo de situação podemos considerar como um ponto de alerta para identificar a depressão?

Elisabete Barbosa: Não podemos afirmar que a necessidade constante de mostrar uma vida feliz nas redes sociais, na busca de um like, é considerado um alerta para a depressão. Como dito anteriormente a depressão tem vários sintomas característicos, envolve um conjunto de várias causas, tendo em vista o contexto de vida da pessoa. Mas esse ponto pode ser considerado um alerta para diversas questões em meio as profundas mudanças que a tecnologia e redes sociais, trouxeram na sociedade, como a individualização, instantaneidade e o afrouxamento das relações. A busca constante de likes nas redes sociais demonstra uma necessidade de ser visto, de receber algum tipo de atenção, podendo ser indagado se é uma fuga da realidade ou uma busca de sentido, em meio a esse contexto de uma sociedade que nos exige a produtividade, padrões de beleza, status, ser felizes a todo momento etc..

Pirambu News:Pessoas que tem na família quadros de depressão, possuem tendência para desenvolver também a doença?

Elisabete Barbosa: Não diria uma “tendência”, mas uma predisposição. Pesquisas cientificas demonstram a existência da predisposição genética da depressão, a qual sofre influência do ambiente e estilo de vida em que se vive, podendo ou não desenvolver o transtorno. Enfatizando que as causas da depressão são multifatoriais, assim, um elemento isolado não é determinante para o desenvolvimento da depressão.

Pirambu News:A depressão tem várias tipologias: pós-parto, psicótica, bipolar, atípica.  Quais desses é o nível mais grave dela?

Elisabete Barbosa: Cada tipo de depressão tem suas diferenças, sejam em sintomas ou na duração. De uma forma abrangente, a depressão pode ser classificada como leve, moderada ou grave, o que distingue a gravidade é a intensidade dos sintomas, podendo chegar a ser profunda, sendo uma fase crítica.Uma pessoa pode ter depressão em um grau mais leve e sentir dificuldades no seu cotidiano e em suas atividades, mas não ter um grande prejuízo em sua vida. Já outra pessoa pode não conseguir fazer até mesmo uma atividade simples, e ter todos os contextos de sua vida afetados.  Principalmente  se não for tratada, a depressão pode vir a ser crônica ou recorrente.

Via Pirambu News

Jornalista Ricardo Cavalcante
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