Superlotação, carência de profissionais e falta de medicamentos de alto custo. As denúncias feitas sobre o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Geral do bairro Bom Jardim giram em torno dos três quesitos, e preocupam pacientes e familiares que chegam à unidade de madrugada para receber atendimento.

“A pessoa tem que chegar 3h pra conseguir ser atendido. É uma demanda muito grande, pra muitos pacientes. Tem pessoas que chegam aqui já em crise, precisam ser internadas. Cheguei 3h40 pra pegar a senha e ainda tô aguardando”, revela a dona de casa Tainá Batista, 23, ainda de pé na entrada do local às 10h.

 

Segundo ela, os serviços pioraram no decorrer dos anos. “Quando eu iniciei o tratamento aqui, em 2017, o atendimento era muito prático, você chegava e já agendava. Agora, não. Tem que chegar de madrugada pra conseguir uma senha pro acolhimento”. A dona de casa buscava atendimento com psicólogo, para tratar o transtorno afetivo bipolar. Segundo ela, para obter ou renovar a receita médica, que permite a retirada dos medicamentos, também é preciso chegar de madrugada.  

CUSTO

“Vim aqui atrás do medicamento para a minha esposa, às 4h, e já tava lotado. Disseram que não tem, desde o dia 15 que não chegou. Ela toma quetiapina, 200 miligramas. Não pode ficar sem”, relata Francisco Carlos da Silva, 51. Para adquirir uma caixa com 30 comprimidos da substância, são necessários 340 reais, o que enquadra o remédio na categoria de alto custo. 

Às 8h, senhas de atendimento começaram a ser distribuídas na unidade, e Francisco foi informado que só deveria ser atendido às 13h. “Eu moro no Conjunto Ceará. Vou ficar aguardando aqui, com fome, porque não tem como voltar em casa”, lamenta. 

REPASSE 

De acordo com o coordenador das Redes de Atenção Primária e Psicossocial da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Rui de Gouveia, medicamentos de alto custo são fornecidos pelo Ministério da Saúde, e os atrasos devem-se à irregularidade do repasse do Órgão.  

“Há um cadastramento no sistema de controle do Ministério, preenchido pelo profissional médico do Caps. Temos todos os pacientes cadastrados e com renovação sendo feita a cada três meses. O que acontece é um atraso do Ministério da Saúde e mudança de padronização de medicamentos, o que nos leva a ter que modificar os laudos para que as pessoas não fiquem sem o medicamento”. 

Ele afirma, ainda, que os Centros de Atenção Psicossocial não devem trabalhar com sistema de senhas, assim como as unidades de atenção primária. Segundo ele, em alguns locais, as próprias pessoas se organizam dessa forma por ser uma questão cultural. 

Em relação à expansão dos serviços, para atender à demanda excessiva, o coordenador informa que foram feitas renovações de convênios. “ivemos concurso recente, profissionais foram empossados e lotados nas unidades. Infelizmente, nem todos resolveram continuar no concurso. Faremos um novo concurso em dezembro priorizando essas áreas com deficiência de profissionais”. 

Via Diário do Nordeste

Jornalista Ricardo Cavalcante
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