Um vídeo ao qual a Record TV teve acesso mostra um homem amordaçado e torturado por seguranças do supermercado Extra do Morumbi, zona sul de São Paulo. Nas imagens, datadas do início de 2018, eles obrigam o torturado, sentado com as calças abaixadas e em desespero, a estender as mãos para levar choques elétricos e palmadas com uma vara. Com informações do R7.

Durante a gravação, o homem também é obrigado a dizer as seguintes frases: “Galera, não rouba mais aqui no Extra Morumbi” e “Eu errei e me ferrei”. O homem teria roubado um pedaço de carne, minutos antes de ser torturado.

Uma ex-funcionária do Extra, que não quer ser identificada, relatou que os casos de tortura são recorrentes no estabelecimento. A denunciante contou que seguranças do próprio Extra e terceirizados da empresa G8 detêm suspeitos que furtam os objetos da loja. Posteriormente, são levados para uma sala onde sofrem as torturas.

Em maio do ano passado, a caixa do supermercado presenciou quatro seguranças – dois da unidade e dois terceirizados – levando um jovem, que havia furtado alguns pedaços de queijo, até a sala.

Ao escutar os gritos da vítima, a então funcionária tentou ajudá-lo, batendo na porta para tentar impedir a agressão. Sem sucesso, ligou para o 190 e fez uma denúncia anônima. A Polícia Militar chegou ao local e levou a vítima de tortura para a delegacia. Os funcionários permaneceram na loja.

A ex-funcionária, conta que trabalhou no Extra por seis anos para poder pagar a faculdade, relatou que desde o ocorrido foi vítima de perseguição na loja. Sua chefe tentou acobertar o caso e a denunciante acabou pedindo demissão.

O 89° Distrito Policial, que atende a área, não soube passar mais detalhes da ocorrência, uma vez que não há a data dos fatos.

Posicionamento do Extra

Assim que tomou conhecimento do lamentável caso, o Extra iniciou imediatamente uma investigação interna para apurar o ocorrido e tomar as providências necessárias. A rede lamenta profundamente que tal comportamento possa ter ocorrido em uma de suas unidades, uma vez que proíbe categoricamente o uso de qualquer tipo de violência, seja por meio de seu código de ética e conduta e suas políticas internas. Por esse motivo, e a partir das apurações iniciais, decidiu pelo desligamento do responsável pela área de prevenção da loja mencionada. E, ainda, para que esse processo seja conduzido de maneira isenta, a empresa e os seguranças alocados naquela loja foram imediatamente afastados da unidade, até que a investigação interna seja concluída. Acrescenta que, independentemente do resultado da investigação, nada justifica um ato como esse e a empresa tem integral interesse na apuração dos fatos.

Jornalista Ricardo Cavalcante
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