Um projeto que trata da liberdade de ensino dos professores de Fortaleza foi retirado da pauta de votação na Câmara Municipal nesta quinta-feira (31), após tumulto e confusão entre manifestantes.

Desde o começo da sessão legislativa, dezenas de professores ocuparam as galerias da Câmara e o pátio externo do prédio para pressionar pela aprovação do projeto. Lideranças religiosas e integrantes de movimentos de direita em Fortaleza também compareceram.

A proposta que trata da liberdade de cátedra e de expressão dos professores tem gerado reações contrárias da bancada conservadora e acusações, em discursos de vereadores no Plenário e nas redes sociais, de que o projeto visa permitir aos docentes o ensino do que chamam de “ideologia de gênero”. Nos bastidores, já se previa que a matéria seria rejeitada, inclusive com abstenções.

Projeto ‘contaminado’

 

Tumulto entre professores e religiosos na Câmara de Fortaleza — Foto: Flávio Rovério/SVMTumulto entre professores e religiosos na Câmara de Fortaleza — Foto: Flávio Rovério/SVM

Tumulto entre professores e religiosos na Câmara de Fortaleza — Foto: Flávio Rovério/SVM

O autor do projeto, vereador Evaldo Lima (PCdoB), ao perceber a força da articulação da bancada religiosa, pediu a retirada da proposta da pauta de votação em acordo com os professores.

“O projeto acabou sendo contaminado por uma perspectiva equivocada de que tratava de pauta de costumes. Em nenhum momento, o projeto que trata de liberdade de cátedra trata da liberdade de costumes”, disse Evaldo Lima.

Houve tumulto e bate-boca quando professores tentaram ocupar o Plenário para pressionar pela aprovação da retirada de pauta. A Guarda Municipal interveio e bloqueou o acesso dos manifestantes. Em votação simbólica, o projeto foi retirado da pauta de votação.

A bancada religiosa comemorou o resultado. “Vitória nossa. Enquanto indivíduo, o professor tem liberdade de expressão, claro, mas (o projeto) está dizendo que, dentro de sala de aula, o professor não tem nenhuma sequência de plano pedagógico para seguir? É dizer o que quer na hora que quer? A gente defende a liberdade de cátedra, que é o ensino da matéria”, disse a vereador Priscila Costa (PRTB).

 

Câmara Municipal de Fortaleza — Foto: DivulgaçãoCâmara Municipal de Fortaleza — Foto: Divulgação

Via G1
Jornalista Ricardo Cavalcante
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