Anualmente, 3 milhões de pessoas morrem no planeta em consequência do consumo abusivo de bebida alcoólica. A informação é da Organização Mundial da Saúde (OMS). A mesma entidade afirma que no Brasil há 4 milhões de alcoólatras. De acordo com levantamento do Ministério da Saúde, cerca de 19% dos brasileiros (o equivalente a 40 milhões de pessoas) chegam eventualmente ao BPB (beber pesado episódico), o conhecido porre ocasional. Esses índices ressaltam a importância de não estimular por meio da TV o uso excessivo de álcool. Justamente o contrário acontece no programa mais visto do momento, o BBB.

O público assistiu à deprimentes espetáculos de bebedeira em vários momentos desta vigésima edição. O episódio mais recente foi protagonizado pela cantora Flayslane. Na última festa, ela ignorou a recomendação médica de não consumir álcool por conta de uma inflamação na garganta e exagerou na dose. Ficou tão bêbada que urinou no carpete da sala. Precisou ser amparada por colegas de confinamento. Horas depois, recebeu advertência no confessionário. A produção deveria ter agido antes a fim de não permitir o vexame público, o risco à saúde da participante e o mau exemplo aos telespectadores.

Em fevereiro, brothers e sisters já haviam sido repreendidos pelo consumo abusivo de álcool. “Se continuarem com esse comportamento, a bebida da festa vai sumir”, disse alguém no sistema de áudio da casa. Ameaçar é pouco, muito pouco. A produção deveria impedir que chegassem ao ponto de perder o discernimento, como ocorreu com Flayslane, e não foi a primeira vez que a competidora bebeu além do aceitável socialmente.

O mais famoso reality show da Globo possui triste histórico de porres. Em uma das primeiras edições, uma participante bebeu tanto que vomitou dentro de uma abóbora. Em outra temporada, uma sister precisou ser carregada para o chuveiro. Houve até acontecimento de incontinência semelhante ao de Flay: uma competidora, de tão bêbada, fez xixi no chão do quarto. Parte do público pode achar engraçado. Outro percentual talvez se sinta estimulado, por diferentes motivações, a beber também — e aí está o perigo de uma influência nociva por parte da televisão.

Na teledramaturgia, a Globo abordou o abuso de álcool e o alcoolismo de maneira exemplar. Personagens como a Heleninha Roitman (Renata Sorrah) de Vale Tudo, o Orestes (Paulo José) de Por Amor, a Santana (Vera Holtz) de Mulheres Apaixonadas e a Lídia (Malu Galli) de Amor de Mãe serviram para conscientizar o telespectador a respeito das dramáticas consequências da dependência do álcool e da importância do autocontrole. Lamentavelmente, o Big Brother Brasil faz o contrário: exibe o consumo excessivo de bebidas alcoólicas — e seus efeitos tóxicos no corpo e na dignidade das pessoas — como se fosse mero entretenimento sem qualquer dano à vida.

Terra

Por Redação
Miséria.com.br

Jornalista Ricardo Cavalcante
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