Em artigo publicado no LinkedIn, Nelson Teich, novo ministro da Saúde, critica a “polarização” entre a saúde e a economia e defende a necessidade de projeções sobre o coronavírus “levar em consideração o impacto de uma crise econômica nos níveis de saúde e mortalidade da população”.

“Esse tipo de problema é desastroso porque trata estratégias complementares e sinérgicas como se fossem antagônicas. A situação foi conduzida de uma forma inadequada, como se tivéssemos que fazer escolhas entre pessoas e dinheiro, entre pacientes e empresas.”

Teich já criticou o isolamento vertical, modelo defendido por Bolsonaro em que apenas pessoas no grupo de risco são colocadas em quarentena.

“Sendo real a informação que a maioria das transmissões acontecem a partir de pessoas sem sintomas, se deixarmos as pessoas com maior risco de morte pela covid-19 em casa e liberarmos aqueles com menor risco para o trabalho, com o passar do tempo teríamos pessoas assintomáticas transmitindo a doença para as famílias”, escreveu.

Por isso, já defendeu, em artigo, o isolamento horizontal como a “melhor estratégia no momento” no combate à pandemia.

“Diante da falta de informações detalhadas e completas do comportamento, da morbidade e da letalidade da covid-19, e com a possibilidade do Sistema de Saúde não ser capaz de absorver a demanda crescente de pacientes, a opção pelo isolamento horizontal, onde toda a população que não executa atividades essenciais precisa seguir medidas de distanciamento social, é a melhor estratégia no momento.”

Ele ressalta, no entanto, que nenhum dos modelos seria o ideal e defende um “isolamento estratégico”, com uso de sistema de geolocalização para monitoramento de aglomerações.

“Estamos falando aqui do uso de testes em massa para covid-19 e de estratégias de rastreamento e monitorização, algo que poderia ser rapidamente feito com o auxílio das operadoras de telefonia celular”, afirmou. Nesta semana, no entanto, Bolsonaro vetou o uso de geolocalização para identificar situações de risco.

Teich já mencionou a cloroquina como esperança no tratamento do coronavírus, mas não se posiciona sobre a forma como ela deve ser usada.

‘Escolhas’

Em um vídeo divulgado pelo Oncologia Brasil em 17 de abril de 2019, Nelson Teich afirmou que, na gestão do sistema de atendimentos, é preciso fazer escolhas. Como exemplo, questionou em quem vale investir: uma idosa com doença crônica ou um jovem que tem “a vida inteira pela frente”.

“Como você tem o dinheiro limitado, você vai ter de fazer escolhas. Tenho uma pessoa mais idosa, que tem doença crônica, avançada. E ela tem uma complicação. Para ela melhorar, eu vou gastar praticamente o mesmo dinheiro que vou gastar para investir num adolescente que está com problemas. Mesmo dinheiro que vou investir. É igual. Só que essa pessoa é um adolescente, que tem a vida inteira pela frente. A outra é uma idosa, que pode estar no final da vida. Qual vai ser a escolha?”, disse, sem concluir.

O vídeo foi replicado nessa quinta nas redes sociais, após a confirmação de Teich no Ministério da Saúde. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

‘Foco nas pessoas’

Teich afirmou, nesta sexta-feira (17), que os pobres são que mais vão sofrer os efeitos da pandemia e destacou que assumir o comando da Saúde é o “maior desafio” de sua carreira profissional.

“O foco que a gente tem aqui é nas pessoas. Por mais que se fala em saúde e economia, não importa o que se falem, o final é sempre gente”, disse. O ministro reforçou a necessidade de reunir informações para conhecer melhor a covid-19.

Teich destacou que há uma “pobreza” de informação sobre o novo coronavírus e defendeu a integração de informações dos ministérios sobre a doença para embasar melhor o planejamento de combate ao vírus. O novo ministro também defendeu que a pasta acompanhe indicadores sociais. “Pessoas que perderem planos de saúde vão impactar no SUS (Sistema Único de Saúde)”, disse.

Com tom otimista, Teich citou que já existem medicamentos em estudo para o tratamento da doença e que a solução para a pandemia pode ser encontrada “mais rápido do que se imagina”.

Fonte: Diário do Nordeste

Jornalista Ricardo Cavalcante
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