O período de quarentena e os decretos estaduais vigentes desde 19 de março no Ceará afetam, além do comércio, o principal ponto turístico de Juazeiro do Norte: a Colina do Horto, onde fica a estátua do Padre Cícero, de 27 metros.

Com 35 funcionários entre seguranças, administração, guias e limpeza, o local é mantido principalmente pro doações dos romeiros. Sem turismo e sem romeiros esse ano por conta do coronavírus, a gestão teme por demissões.

Francisca Maria Santana do Nascimento comanda o monumento há 16 anos. Ela conta que desde que o isolamento começou, a maioria dos funcionários passou a trabalhar de casa. No Horto, apenas seguranças e manutenção. O portão que dá acesso à estátua e fechava às 21 horas, atualmente permanece com cadeado durante todo o dia.

 Rua do Horto vazia (Foto: Lino Fly)

 

Funcionários

“São 35 pessoas, um quadro que não sabemos como manter caso a quarentena vá até agosto, estamos em constantes reuniões para decidir o que fazer em relação à folha de pagamento”, diz. Para continuar cobrindo os gastos, a administração prepara a campanha para intensificar doações dos “padrinhos”.

São cerca de 4 mil pessoas cadastradas ao redor do país, que todos os meses enviam suas contribuições para manter a estrutura do Horto. Sem as usuais ofertas dos romeiros, portanto, esse tipo de contribuição via depósito poderá ajudar no pagamentos das principais despesas.

Além disso, há também um prejuízo ainda inestimável para os quase 800 comerciantes do entorno da estátua. Francisca conta que a maioria usa o comércio dos terços, lembranças, santinhos e estátuas do Padre Cícero como único meio de vida. Muitos deles são moradores do bairro, o que compromete a economia do local de uma maneira ainda não mensurável.

“É acima de tudo muito triste. Recebo ligações todos os dias de romeiros preocupados por não poderem vir pagar suas promessas, eles perguntam quando isso tudo voltará ao normal”, conta a administradora.

Por fim, em 50 anos, essa é a primeira vez que o monumento impede a entrada de visitantes. A tradição dos romeiros e moradores de Juazeiro em subir a ladeira do Horte na Sexta-feira Santa, por exemplo não aconteceu. No aniversário do fundado da cidade, em 24 de março, também não teve festa.

Isso porque a prefeitura, atendendo ao decreto governamental, isolou a entrada do bairro durante a Semana Santa para evitar que fieis desrespeitassem as recomendações. Só na Semana Santa, a estátua recebe 200 mil visitantes, segundo a administração.

Por Felipe Azevedo
Miséria.com.br

Jornalista Ricardo Cavalcante
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