Após morte de gestante e bebê de Caririaçu, familiares e médica dão versão do ocorrido

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A morte de uma gestante e seu bebê, em Caririaçu, levantou o debate sobre negligência médica na última semana. A problemática foi tratada principalmente nas redes sociais. Jucilena Leonildes Pereira, 28, e a criança de 9 meses, um menino, morreram no último dia 17, sexta, após atendimentos no Hospital e Maternidade Geraldo Botelho, em Caririaçu, Hospital e Maternidade São Lucas e por fim no Hospital Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte.

De acordo com a versão da família, que também é a mesma dos responsáveis pelo hospital de Caririaçu, a mulher foi atendida por volta das 8 horas da manhã, queixando-se de náuseas e dor no estômago e foi medicada. Poucas horas depois, a paciente se queixou de dor nas costas e foi novamente medicada, desta vez com um medicamento chamado Tramal.

Ouça o áudio da entrevista com a irmã da gestante:

 

Quem atendeu Jucilena foi a plantonista doutora Tamires Cruz. Em conversa com o Miséria, ela afirma que inicialmente, não viu necessidade de transferir a paciente para a maternidade São Lucas, já que não identificou trabalho de parto. Disse também que utilizou um aparelho chamado Sonar para ouvir o batimento cardíaco da criança.

Ouça o áudio da entrevista com a médica:

 

 

São Lucas

Com fortes dores nas costas, a gestante foi enviada para Juazeiro para averiguar. Segundo a médica, a intenção era que ela voltasse no mesmo dia. Em contato com o Miséria, o São Lucas diz que Jucilene deu entrada  às 17h46, e que era portadora de Doença Hipertensiva Específica da Gestação. “Chegou consciente, apresentando sudorese profusa, hipotensão e cianose em membros (sinais compatíveis com choque hipovolêmico, estando portanto já em estado grave)”, diz o informe.

O hospital informou ainda que não foi possível ouvir os batimentos do bebê, e que já na sala de cirurgia percebeu que a placenta poderia ter sido deslocada prematuramente e havia sangramento “de difícil controle”. O bebê foi retirado já em óbito, segundo a maternidade. “Foram realizadas as manobras cirúrgicas  para contenção do sangramento”.

HRC

O SAMU foi acionado para levar a paciente até o Hospital Regional do Cariri. Em resposta ao Miséria, o HRC confirma que ela deu entrada com sangramento intenso, após a cirurgia cesariana realizada no Hospital Maternidade São Lucas. “Ao chegar, teve uma parada cardiorrespiratória na sala de reanimação, onde retornou após três manobras. Devido ao intenso sangramento, foi levada com urgência para cirurgia, no entanto, no pós cirúrgico, a paciente sofreu outra parada cardiorrespiratória e foi a óbito às 23:12”.

Geraldo Botelho

O Hospital e Maternidade Geraldo Botelho, destacou que “é um hospital de pequeno porte e sua referência para partos é o São Lucas […], cabe ao plantonista avaliar as gestantes que chegam e o trabalho de parto de cada paciente”. Uma reunião ocorreu na manhã desta segunda (20) para apurar os fatos. O hospital informou que está à disposição da Justiça para esclarecer possíveis questionamentos.

A família pretende contratar advogado e crê que Jucilena teve o parto negligenciado.

Por Felipe Azevedo
Miséria.com.br

Jornalista Ricardo Cavalcante
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