O pedido de demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública foi de rápida e grande repercussão, virando o assunto do dia nas redes sociais de personagens do mundo político, sejam eles aliados ou opositores do presidente Jair Bolsonaro, dando o tom do agravamento da crise em torno do Governo.

Em transmissão ao vivo simultânea à entrevista coletiva de Moro, o senador Luís Eduardo Girão (Podemos) considerou acertada a decisão do ex-ministro, diante das circunstâncias.

“Eu acreito que ele está certo, não tinha que aceitar interferência política na Polícia Federal. A Polícia Federal tem que estar acima, tem que ter autonomia para fazer o seu trabalho, e nós estamos tendo hoje no Brasil uma grande perda”, lamentou o senador, que dividiu palanque com Bolsonaro em 2018, mas criticou a incoerência do presidente. “Foi uma bandeira do presidente da República durante toda a campanha, e que nao podia retroceder com relação a interferências políticas na Polícia Federal”, disse.

Vice-presidente nacional do PDT, partido que, na última quarta-feira, protocolou pedido de impeachment contra Bolsonaro, o ex-ministro Ciro Gomes usou o Twitter para apontar, a partir da fala de Moro, crimes que teriam sido cometidos pelo presidente da República.

“Nesta confrontação chocante entre Moro e Bolsonaro, o País ganha muito com a briga em si. Só hoje já tivemos notícia de uma lista de artigos do código penal, além de crime de responsabilidade: prevaricação, falsidade ideológica, tráfico de influência, obstrução da justiça, abuso de autoridade, e contando… “, publicou.

Pela mesma rede social, o colega de partido André Figueiredo, deputado da bancada federal cearense, puxou o coro de “#ForaBolsonaro”, destacando o que considerou mais grave no depoimento de Sérgio Moro. “Interferência política… Maurício Valeixo não queria sair da direção geral da PF e foi forçado a acatar a exoneração ‘a pedido'”, escreveu.

Idilvan Alencar (PDT) também usou as redes sociais para criticar Bolsonaro. “Moro pediu demissão e disse que saía porque Bolsonaro quis interferir na PF. Isso é GRAVÍSSIMO! Ele deu prestígio e credibilidade ao governo com sua imagem de ‘implacável contra a corrupção’. Sua saída deixa claro que foi apenas uma manobra para enganar o povo”, afirmou.

Outro pedetista da bancada federal, Robério Monteiro escreveu: “Em meio a uma crise mundial de saúde pública, nossa nação também vive uma crise política. Sérgio Moro deixa a pasta e também muitas interrogações para todo o contexto motivacional”.

O deputado Capitão Wagner (Pros), um dos entusiastas da campanha de Bolsonaro em 2018 e da nomeação de Moro para o ministério, lamentou a saída do ministro. “O Brasil perde um braço forte no combate à corrupção”, escreveu.

Moro também foi alvo de críticas. Líder da maioria na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT) afirmou que o depoimento de Moro deixou clara uma “cumplicidade” anterior entre ele e Bolsonaro em relação a investigações que se aproximavam do Palácio do Planalto, como no caso envolvendo o motorista Fabrício Queiroz e o senador Flávio Bolsonaro. “Ele silenciou”, disse Guimarães.

O petista, porém, foi mais duro em relação à conduta do presidente da República. “Os fatos denunciados pelo ex-ministro Sérgio Moro agravam ainda mais a crise institucional em que o Brasil está metido. Primeiro, a tentativa de Bolsonaro, não só tentativa, a demissão do diretor-geral da Polícia Federal, e uma denúncia clara de que ele quer interferir na autonomia e no trabalho da Polícia Federal, é muito grave. Isso é crime. Não é possível nós aceitarmos isso”, protestou.

Luizianne Lins (PT) também disparou contra o ex-ministro. “Coerência nunca foi o forte de Moro. Quando tava de bem com o bolsonarismo, calou sobre Queiroz, Marielle, fakenews, condenou Lula sem provas, calou sobre milícias, ataques ao STF e ao Congresso, foi ministro de Bolsonaro, e ainda quer se passar por coerente”, publicou a deputada federal pelo Twitter.

O deputado José Airton Cirilo (PT) disse que “a saída de Moro mostra a podridão do Governo Bolsonaro e a parcialidade de Moro e seus crimes, pois perseguiu Lula, se calou e não investigou o Queiroz e as milícias”. Ele se referiu ao ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, que passou a ser investigado em 2018 depois que o Coaf (atual Unidade de Inteligência Financeira) identificou diversas transações suspeitas ligadas ao ex-assessor.

Já o deputado federal Roberto Pessoa (PSDB) lamentou a saída de Moro. “Vejo como algo muito grave a saída do ministro Sérgio Moro, do Ministério da Justiça. Um homem com grande credibilidade, que combateu ferozmente o crime organizado e colocou o Brasil nas manchetes internacionais, como um país que queria muito se encontrar com a justiça. A Polícia Federal é uma das instituições mais sérias e que deve continuar sendo isenta”, cobrou, em sua conta no Instagram, com base nas declarações de Moro na coletiva pela manhã.

Antigo aliado de Bolsonaro, de quem se afastou após racha no PSL, no ano passado, o deputado federal Heitor Freire evitou polêmicas e apenas agradeceu o ex-ministro.

“Obrigado ao ministro Sergio Moro pelo trabalho à frente do Ministério da Justiça! Deixa um grande legado para o nosso país! Que ele siga um novo caminho com muita sorte e muito trabalho! Esperamos a nomeação de um novo representante da pasta que tenha muito compromisso e responsabilidade para assumir esse desafio!”, escreveu.

CPI

Para o deputado Célio Studart (Partido Verde), as tentativas de interferência política na Polícia Federal devem ser investigadas mais a fundo. “As acusações do ex-ministro Moro são muito graves, pois a Polícia Federal jamais pode ser aparelhada. Acabei de assinar CPI para investigarmos toda esta questão”, disse após apoiar iniciativa do colega Aliel Machado (PSB/PR).

Outro parlamentar a apoiar investigação envolvendo as declarações de Moro em seu ato de demissão é Denis Bezerra, presidente estadual do PSB. “As afirmações dadas em coletiva no dia de hoje, 24, são gravíssimas e indicam possíveis crimes praticados pelo atual Presidente da República. Após colhidas as 171 assinaturas necessárias para o requerimento, vamos pressionar para que o presidente Rodrigo Maia instale a CPI”, disse Bezerra.

Fonte: Diário do Nordeste

Jornalista Ricardo Cavalcante
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