Ao redor da Lagoa do Parnamirim, em Caucaia, está a comunidade que vive o contraste da beleza natural do espaço e a falta de infraestrutura básica para moradia. Com a propagação do novo coronavírus, não há mais renda com o turismo esportivo da prática de kitesurf ou das barracas de praia que empregam cozinheiros e garçons. Nessa realidade, “Abrace Parnamirim” dá nome ao grupo de voluntários mobilizados para arrecadar alimentos e materiais de higiene às 46 famílias, cerca de 174 pessoas, cadastradas na iniciativa.

O projeto, com duas semanas de atuação, busca aumentar a rede de colaboradores formada, inicialmente, por estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC) com apoio de nutricionistas que auxiliam na montagem dos alimentos. Já foram entregues 20 cestas básicas, mas o número não foi suficiente para atender todos os beneficiários.

“O nosso objetivo é entregar os alimentos numa quantidade que possa suprir as famílias porque uma cesta básica normal é calculada para quatro pessoas e lá existem famílias com nove pessoas”, explica a voluntária Lara Aguiar, 21.

O grupo também pretende confeccionar cartilhas educativas sobre prevenção e tratamento da Covid-19 para distribuir na comunidade. Entre os cadastrados no projeto, nenhum relatou infecção pelo novo coronavírus. No entanto, as condições estruturais tornam as famílias ainda mais vulneráveis à doença. “Imagina uma casa tão pequena e com tanta gente junta. Eu acredito que se tivesse um caso confirmado teriam vários outros porque as pessoas moram em casas que não seguem os padrões urbanísticos, tamanho de lote mínimo e outras questões”, analisa Lara.

Em todo o Município, foram notificadas 210 mortes ocasionadas pelo novo coronavírus e 2.775 casos de infecção até a manhã de ontem (11), de acordo com os dados da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), na plataforma IntegraSUS. Neste mesmo período, 1.693 pacientes conseguiram superar a Covid-19 e estão curados.

Sensibilidade

O primeiro contato com a comunidade da Lagoa de Parnamirim foi feito pela estudante Deborah Fernandes, 24, que mora na Tabuba, próximo ao local. Os próprios moradores pediram ajuda e uma rede familiar de apoio organizou a primeira entrega. “Fiquei pensando que poderia ser feito a mais por eles. Como sou estagiária de arquitetura no escritório de tecnologia, a gente lá conhece muito de perto a realidade de algumas famílias que passam por vulnerabilidade social”, reflete.

Quem deseja contribuir com a iniciativa pode fazer doações em dinheiro para a compra dos alimentos ou de mantimentos. “Temos a meta de arrecadar para 46 cestas básicas mensalmente e garantir segurança alimentar até passar a crise da pandemia”.

Contribuir com a população mais vulnerável para aumento da qualidade de vida também está entre os atributos universitários, como pontua Deborah Fernandes. “Nós, estudantes de arquitetura e urbanismo, temos o dever de minimizar os impactos sociais e garantir mais igualdade entre as pessoas. Além de estimular a solidariedade e empatia não apenas em épocas de crises”.

Prefeitura

A Prefeitura de Caucaia, por meio das Secretarias de Turismo e Desenvolvimento Social, informou que está auxiliando os moradores da região da Lagoa do Parnamirim para participarem dos programas estaduais e federais criados durante a pandemia, como a entrega do tíquete vale gás pelo Governo Estadual e o auxílio emergencial do Governo Federal. A Prefeitura ressalta que devido a pandemia, os setores turísticos estão suspensos.

Via Diário do Nordeste

Jornalista Ricardo Cavalcante
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