O programa Bolsa Família cancelou neste mês de julho cerca de 900 mil benefícios em todo o país. Com isso, o número de famílias atendidas caiu de 20,5 milhões para 19,6 milhões, segundo dados divulgados pela Caixa Econômica Federal, responsável pelos pagamentos. O pagamento referente a este mês começa nesta sexta-feira (18), com valor mínimo de R$ 600.
O corte é resultado das novas regras de permanência no programa, que passaram a valer em junho. As mudanças visam tornar o programa mais sustentável e focado em famílias em situação de maior vulnerabilidade, especialmente diante do crescimento do emprego formal no país.
Mudanças na Regra de Proteção
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o governo reduziu de 24 para 12 meses o tempo em que famílias com renda acima do limite de entrada (R$ 218 por pessoa) podem permanecer no programa, recebendo 50% do valor do benefício.
Além disso, o teto de renda para se enquadrar na Regra de Proteção também foi reduzido, passando de R$ 759 para R$ 706 por pessoa da família.
Outro ponto importante é que famílias com renda estável ou permanente — como aposentadorias, pensões ou Benefício de Prestação Continuada (BPC) — poderão permanecer no programa por apenas dois meses, já que, segundo o governo, essas famílias já contam com proteção social contínua.
Famílias com pessoas com deficiência que recebem o BPC, por sua vez, poderão seguir na Regra de Proteção por até 12 meses.
O que permanece igual
As famílias que já estavam enquadradas na Regra de Proteção até junho de 2025 continuam com direito a até 24 meses de permanência no programa, conforme a regra anterior.
Caso a renda volte a cair e se enquadre novamente nos critérios do Bolsa Família, essas famílias poderão retornar ao benefício com prioridade.
Valores do Bolsa Família
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R$ 600 — valor mínimo por família;
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R$ 150 — adicional por criança de até 6 anos;
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R$ 50 — adicional por gestantes, lactantes, crianças de 7 a 18 anos e bebês de até 6 meses.
Calendário de Pagamento — Julho de 2025
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18 de julho: NIS final 1
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21 de julho: NIS final 2
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22 de julho: NIS final 3
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23 de julho: NIS final 4
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24 de julho: NIS final 5
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25 de julho: NIS final 6
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28 de julho: NIS final 7
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29 de julho: NIS final 8
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30 de julho: NIS final 9
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31 de julho: NIS final 0
Para continuar recebendo o benefício, é necessário que os dados das famílias estejam atualizados no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais).
Após nossa publicação, a Secretária de comunicação do governo federal (Secom) emitiu uma nota ao Jurema News, segue a nota na integra:
Em relação à matéria com o título “*Bolsa família cancela 900 mil beneficiários em julho”, esclarecemos que cerca de um milhão de domicílios deixarão de receber o benefício do Bolsa Família em julho, por terem aumentado a renda. A maioria delas, 536 mil, cumpriu 24 meses na Regra de Proteção. Elas atingiram o prazo máximo de recebimento de 50% do valor a que têm direito, por terem alcançado uma renda per capita entre R$ 218 e meio salário-mínimo.
Esse público ainda é protegido por outra medida: o Retorno Garantido. Ela é aplicada quando a família que ultrapassou o período de 24 meses na Regra de Proteção ou solicitou o desligamento voluntário do programa volta à situação de pobreza. Nestes casos, os antigos beneficiários têm prioridade para voltar a receber o Bolsa Família.
Além das famílias que deixam o programa por atingirem o prazo máximo na Regra de Proteção, outros 385 mil domicílios ultrapassaram R$ 759, meio salário mínimo, de rendimento por pessoa em julho. Elas tiveram um aumento de renda maior que o limite da Regra de Proteção.
Com a modernização do sistema do Cadastro Único, realizada em março, o cruzamento de dados das bases do Governo Federal, como o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), se tornou mais eficiente. Um exemplo desta integração é que as informações de renda das famílias passam a ser atualizadas automaticamente.
A novidade é mais uma etapa dos esforços do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que desde 2023 vem qualificando as informações do Cadastro Único. Como resultado, somadas as saídas de julho de 2025, aproximadamente 8,6 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família.
Regra de Proteção
A medida foi uma das novidades do novo Bolsa Família, retomado há dois anos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O programa de transferência de renda condicionada é referência mundial e uma das políticas públicas que integram o colchão social para as famílias em vulnerabilidade, como destacou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias.
“Em conjunto com a retomada dos investimentos e reestruturação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), com a volta de políticas de segurança alimentar e nutricional, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Cisternas, e com a criação de uma estratégia nacional de combate à fome, o Brasil Sem Fome, o Bolsa Família promoveu a saída de 24,4 milhões de pessoas da insegurança alimentar grave, apenas em 2023. A expectativa é que até 2026, esse número seja reduzido ao ponto de o país sair novamente do Mapa da Fome, como ocorreu em 2014”, projetou o titular do MDS.
Em 2024, do total de vagas formais de emprego criadas, 98,87% foram ocupadas por pessoas inscritas no Cadastro Único e 75,5% pelo público do programa de transferência de renda. No ano passado, 50% da população do país estava na classe média – renda individual de R$ 3,4 mil ou mais -, incluindo 972 mil pessoas registradas no CadÚnico.
Em 2023, o índice de pobreza e extrema pobreza no Brasil alcançaram os menores patamares em anos, chegando a 27,4% e 4,4% respectivamente, segundo dados do Banco Mundial.
Novas regras
Com a economia em recuperação e o mercado de trabalho formal em crescimento, o Governo Federal atualizou as regras de transição para as famílias beneficiárias do Bolsa Família que passam a ter recebimentos acima do limite de entrada no programa.
Julho é o primeiro mês de aplicação das novas regras, que alcançam cerca de 36 mil famílias. Elas tiveram um aumento de renda entre R$ 218 e R$ 706 per capita e entraram na Regra de Proteção. Nestes domicílios, o grupo familiar recebe 50% do valor a que tem direito, por até 12 meses.
A fixação do novo limite de renda está alinhada à linha de pobreza internacional, estabelecida a partir de estudos sobre a distribuição de renda em diversos países do mundo.
Além disso, as famílias cuja renda seja considerada estável ou permanente – como aquelas que recebem aposentadoria, pensão ou Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas) – poderão permanecer com o auxílio do Bolsa Família por até dois meses. Nesses casos, já há uma proteção social contínua assegurada pelo Estado, o que contribui para maior previsibilidade ao orçamento familiar.
Cabe destacar, entretanto, que no caso de famílias com pessoas com deficiência que recebem o BPC, o tempo máximo de permanência na Regra de Proteção será de 12 meses. A atenção diferenciada considera que o benefício, em seu regramento, passa por revisões periódicas em se tratando de pessoas com deficiência.