O afastamento de vereadores para dar espaço a suplentes é uma prática comum e considerada saudável na política, pois garante alternância e fortalece a coletividade partidária. Em Caucaia, o Republicanos já mostrou esse exemplo: Nega do Vanderlan se licenciou e o suplente Raimundo dos Ônibus assumiu a cadeira, em gesto de articulação e respeito ao grupo.

No entanto, no PMB a realidade é bem diferente. A vereadora Kessya Alencar, que recentemente se tornou mãe, era esperada para se afastar por licença-maternidade, o que permitiria que a suplente Jackeline Dantas exercesse o mandato no período. Contrariando todas as expectativas, Kessya optou por não se licenciar e seguirá ocupando a vaga.

A decisão gerou forte desconforto dentro do partido e levanta um questionamento inevitável: até que ponto é justo uma parlamentar manter-se na cadeira sem abrir espaço, mesmo que temporário, para quem também ajudou a construir o coeficiente eleitoral que garantiu a vaga?

É importante lembrar que nenhum vereador se elege sozinho. O mandato que Kessya exerce hoje é resultado da soma dos votos de vários candidatos do PMB. Portanto, negar a suplente a oportunidade de assumir, ainda que por alguns meses, soa como uma postura individualista e contrária ao espírito coletivo que deveria nortear qualquer legenda.

O gesto da vereadora é visto por muitos como uma demonstração de unidade apenas em torno de si mesma, e não de coletividade. Ao agir dessa forma, Kessya expõe o PMB a um desgaste político desnecessário e coloca em xeque a capacidade do partido de respeitar e valorizar todos os seus quadros.

O episódio deixa claro um problema recorrente na política: quando o interesse pessoal fala mais alto do que o compromisso com o grupo e com os eleitores que confiaram seus votos para fortalecer a sigla. No caso do PMB em Caucaia, a democracia interna sai enfraquecida.

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