Enquanto moradores de Fortaleza seguem denunciando problemas recorrentes na saúde e na educação municipal, a gestão do prefeito Evandro Leitão parece ter definido outras prioridades. Após um mega show na virada do ano, a Prefeitura volta a concentrar esforços e recursos na realização do Carnaval, com uma programação extensa e grandes atrações nacionais.

A programação oficial do Ciclo Carnavalesco de Fortaleza foi anunciada nesta segunda-feira (12) e prevê 25 palcos espalhados pela cidade. O principal destaque segue sendo o tradicional polo do Aterrinho da Praia de Iracema, que receberá nomes de peso da música brasileira como Joelma, BaianaSystem, Tarcísio do Acordeon, Djonga e Olodum.

A abertura do pré-carnaval acontece já nesta sexta-feira (16), com show do Fundo de Quintal, na Praça do Ferreira. A agenda segue ao longo de janeiro e fevereiro, culminando com o carnaval oficial a partir do dia 14 de fevereiro, também no Aterrinho da Praia de Iracema, com apresentação de Arlindinho.

Segundo a Prefeitura, mais de 160 artistas e coletivos participarão da festa, além de 48 blocos de rua independentes, baterias, blocos de palco e agremiações tradicionais, como maracatus e blocos de desfile. Para facilitar o acesso às informações, a gestão municipal lançou ainda o aplicativo “Farol da Cultura”, disponível para Android e iOS, onde é possível acompanhar a programação em tempo real.

Apesar da grandiosidade do evento e da diversidade cultural anunciada, a programação carnavalesca reacende críticas de parte da população, que questiona as prioridades da atual gestão. Denúncias envolvendo falta de medicamentos, demora em atendimentos, unidades de saúde sucateadas e dificuldades enfrentadas por escolas municipais contrastam com os investimentos em grandes eventos e festas populares.

Para muitos fortalezenses, a cultura e o lazer são importantes e devem ser valorizados, mas não podem se sobrepor a áreas essenciais. O debate que se impõe é se, diante de tantos problemas básicos ainda sem solução, a Prefeitura de Fortaleza está, de fato, equilibrando suas prioridades ou optando por uma gestão mais voltada ao espetáculo do que às necessidades urgentes da população.

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