Em Caucaia o povo fala,
Na calçada e no mercado:
“Se a crise bate na porta,
Por que tanto aluguel firmado?”

Diz a gestão: “Falta dinheiro,
É preciso economizar.”
Mas no Portal da Transparência
Outra conta vem mostrar.

Mais de um milhão de reais,
No papel tá registrado.
Contrato vai, contrato vem,
E o povo fica intrigado.

Tem aluguel pra Saúde,
Pra Educação também.
Tem Finanças, Procuradoria,
Controladoria vai além.

Dezoito mil todo mês,
Num contrato de respeito.
Quem vê o valor da conta
Coça a barba sem ter jeito.

Enquanto isso, em silêncio,
Num canto da cidade inteira,
Tem prédio público esquecido,
Esperando a vida verdadeira.

Araturi pede socorro,
Potira também reclama.
Arianópolis pergunta:
“Será que ninguém me chama?”

As paredes contam histórias,
O mato já fez morada.
O cadeado virou dono
Da casa abandonada.

E o povo faz a pergunta
Que não quer mais se calar:
“Se a casa já é do povo,
Por que outra alugar?”

Será que a tinta é mais cara
Que aluguel todo mês?
Ou será que reformar
Já não interessa de vez?

Quem paga essa conta toda
É quem acorda cedinho.
No imposto, no comércio,
Na luta do seu caminho.

Não é pecado alugar,
Quando não há solução.
Mas gastar sem planejamento
Desperta desconfiança e atenção.

Crise não combina muito
Com aluguel sem parar.
Quando o bolso vive apertado,
Primeiro se arruma o lar.

Que responda quem governa,
Sem discurso decorado.
Pois dinheiro do povo é sagrado,
Tem destino fiscalizado.

E assim fecha este cordel,
Sem ofensa e sem rancor.
Quem administra o que é público
Deve honrar seu valor.

Porque a voz da população
Nunca deixa de ensinar:
Antes de buscar outra casa,
Veja a sua… antes de alugar.

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