
Caucaia voltou a figurar entre os municípios com os piores indicadores de violência do país. De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o município ocupa a 7ª posição entre as cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes mais violentas do país, considerando os dados de 2025.
O levantamento também coloca o Ceará em destaque negativo no cenário nacional. Além de Caucaia, Maranguape aparece na primeira colocação do ranking e Maracanaú ocupa o terceiro lugar, demonstrando que a Região Metropolitana de Fortaleza enfrenta uma grave crise na segurança pública.
Apesar de o Brasil ter registrado uma redução de 8,2% nas mortes violentas em relação ao ano anterior, a realidade de Caucaia continua preocupante e levanta um questionamento inevitável: o que a Prefeitura tem feito para fortalecer sua própria estrutura de segurança?
É importante lembrar que a responsabilidade pelo combate ao crime é, constitucionalmente, do Governo do Estado por meio das polícias Civil e Militar. No entanto, os municípios possuem papel cada vez mais relevante na prevenção da violência, especialmente por meio do fortalecimento da Guarda Municipal, da ocupação dos espaços públicos e de ações preventivas.
Em Caucaia, porém, a realidade parece caminhar na direção contrária.
Enquanto a cidade aparece entre as mais violentas do Brasil, a base da Guarda Municipal no Cumbuco permanece fechada, justamente em um dos principais cartões-postais e destinos turísticos do município.
Além disso, recentemente a Prefeitura firmou um contrato de R$ 84 mil, com aluguel mensal de R$ 7 mil, para um imóvel no bairro Icaraí destinado à instalação de uma unidade do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (CPAC) da Polícia Militar, conforme publicação oficial.
A contratação não é alvo de questionamento quanto à sua legalidade. O debate é outro: a prioridade na aplicação dos recursos públicos.
Em um cenário onde Caucaia ocupa posição de destaque negativo no ranking da violência, seria mais estratégico fortalecer a estrutura da Guarda Municipal, reabrindo bases desativadas, ampliando o efetivo nas ruas, oferecendo melhores condições de trabalho aos agentes e aumentando a presença preventiva em áreas sensíveis do município?
A base do Cumbuco é um exemplo simbólico desse debate. Fechada há meses, ela deixa sem apoio permanente uma das regiões de maior circulação de turistas, moradores e comerciantes da cidade.
A divulgação do Anuário Brasileiro de Segurança Pública deveria servir como um alerta para todas as esferas do poder público. No caso de Caucaia, os números reforçam a necessidade de discutir políticas públicas mais eficientes e, principalmente, as prioridades da administração municipal na área da segurança.
Quando uma cidade figura entre as dez mais violentas do país, a população espera respostas concretas. E fortalecer a estrutura da Guarda Municipal, instituição mantida pelo próprio município, pode ser um dos caminhos para ampliar a prevenção e contribuir com a sensação de segurança da população.
Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o desafio é enorme. Agora, cabe aos gestores públicos demonstrar, por meio de ações efetivas, que a segurança da população está entre as verdadeiras prioridades da administração municipal.



















