
Após um ano e meio de uma gestão marcada por cobranças da população em relação à execução de obras e investimentos, a Prefeitura de Caucaia passou a acelerar a entrega de equipamentos públicos justamente no período que antecede a campanha eleitoral de 2026.
Entre as inaugurações está o Mercado das Malvinas, obra que, segundo informações divulgadas pela gestão anterior, havia sido deixada em estágio avançado de execução. Também foi entregue recentemente a Areninha do Poeirão, além da expectativa de novas inaugurações nos próximos meses.
A mudança de ritmo desperta um questionamento inevitável: por que essas entregas não aconteceram ao longo dos primeiros dezoito meses de governo? Durante esse período, moradores cobraram a conclusão de diversas obras e ações da administração municipal. Agora, às vésperas do calendário eleitoral, a cidade vive uma sequência de inaugurações.
Naturalmente, obras públicas devem ser concluídas e entregues à população. Esse é o dever de qualquer gestor. O que chama a atenção é a concentração dessas entregas justamente em um momento de forte movimentação política.
O cenário ganha ainda mais relevância diante da expectativa de que a primeira-dama, Erika Amorim, dispute uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026. Como figura diretamente associada à administração municipal, sua imagem tende a refletir a avaliação que a população faz da gestão. Um governo bem avaliado fortalece seus aliados; uma gestão desgastada pode dificultar projetos eleitorais.
Outro ponto que alimenta o debate é que a mesma administração que agora busca reforçar a imagem de proximidade com a população também tomou decisões que geraram críticas no início do mandato. Entre elas estão o encerramento dos programas Bora Habitar e Bora Conectar, além da redução do orçamento destinado ao Bora de Graça, iniciativas que tinham forte alcance social.
A coincidência entre o calendário de inaugurações e a aproximação do período eleitoral certamente será tema de debate entre adversários e apoiadores da gestão. Caberá à população avaliar se o atual ritmo de entregas representa uma mudança efetiva na capacidade administrativa ou se faz parte de uma estratégia para melhorar a percepção do governo antes das eleições.
Uma administração pública deve trabalhar durante todo o mandato. Obras e serviços não podem se concentrar apenas quando o calendário eleitoral começa a se aproximar. A população espera resultados permanentes, e não apenas um festival de inaugurações em tempos de pré-campanha.
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