O prefeito de Caucaia, Naumi Amorim (PSD), intensificou nas últimas semanas a divulgação de uma campanha nas redes sociais em busca de votos para o chamado Prêmio Nordeste. A mobilização virtual ocorre em meio a críticas pela descontinuidade de dois programas sociais da gestão anterior: o Bora Conectar e o Bora Habitar.
A pergunta que ecoa nos bastidores da política local é direta: um título simbólico teria força para reverter o desgaste acumulado? E mais: ajudaria a suavizar a percepção negativa diante de problemas crônicos enfrentados pela população?
Embora o prefeito possa conquistar o reconhecimento, a realidade nas ruas segue impondo desafios. Caucaia enfrenta cobranças em áreas sensíveis, como transporte público e saúde.
O programa Passe Livre, que substituiu o antigo Bora de Graça, é alvo frequente de reclamações. Usuários relatam superlotação, atrasos constantes e uma frota que não acompanha o crescimento habitacional do município. A promessa de manter a eficiência do modelo anterior, segundo passageiros ouvidos pela reportagem, ainda não se concretizou plenamente.
Na saúde, o cenário também é de pressão. Denúncias recorrentes apontam número insuficiente de profissionais, falta de insumos básicos e dificuldades no atendimento em unidades públicas. Moradores relatam longas esperas e serviços aquém da demanda de uma das cidades que mais crescem no Ceará.
O esforço para fortalecer a imagem nas redes ocorre justamente quando a gestão enfrenta um desgaste natural provocado por promessas de campanha não cumpridas e pela sensação de que políticas públicas não estão atendendo aos anseios mais urgentes da população.
No fim das contas, a disputa por um prêmio pode render visibilidade. Mas, para parte dos moradores, o reconhecimento que realmente importa é outro: aquele que se traduz em ônibus funcionando, postos abastecidos e serviços públicos que, de fato, resolvam o dia a dia de quem vive na cidade.


















