O aumento acelerado no preço dos alimentos voltou a colocar pressão sobre a gestão do governador Elmano de Freitas. Em abril, Fortaleza registrou uma das maiores altas do país no valor da cesta básica, aprofundando o impacto do custo de vida sobre milhares de famílias cearenses.
Dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento, mostram que a cesta básica na capital cearense passou a custar R$ 767,67 em abril, um aumento de 5,46% em comparação com março.
Com o resultado, Fortaleza ficou entre as capitais brasileiras com os maiores reajustes no período, atrás apenas de Porto Velho, que apresentou alta de 5,60%.
A disparada nos preços atingiu justamente itens essenciais do dia a dia da população. O tomate liderou os aumentos, com alta de 25,58%. Em seguida aparecem a carne bovina de primeira, que subiu 4,27%, e o feijão carioca, com reajuste de 2,75%.
Enquanto isso, as reduções registradas em alguns produtos tiveram pouco efeito prático no orçamento doméstico. A farinha de mandioca caiu 2,78%, o óleo de soja teve redução de 1,21% e o açúcar cristal recuou 1,05%.
O peso da inflação dos alimentos aparece de forma ainda mais clara quando se observa a realidade do trabalhador cearense. Segundo o levantamento, um trabalhador que recebe salário mínimo precisou dedicar 104 horas e 11 minutos de trabalho apenas para comprar a cesta básica em abril. No mês anterior, eram necessárias 98 horas e 47 minutos.
Na prática, isso significa que mais da metade do salário mínimo líquido ficou comprometida somente com alimentação básica. Após o desconto da Previdência Social, o trabalhador precisou destinar 51,20% da renda para adquirir os produtos essenciais.
O cenário amplia o desgaste econômico enfrentado pelo governo estadual em um momento de aumento das críticas relacionadas ao desemprego, perda do poder de compra e dificuldade das famílias em manter despesas básicas. Nos bastidores políticos, adversários da gestão têm usado os indicadores econômicos recentes para questionar a efetividade das políticas públicas voltadas para geração de renda e redução do custo de vida no Ceará.
Os dados reforçam a percepção de aperto financeiro entre consumidores, principalmente nas periferias e entre trabalhadores que dependem exclusivamente do salário mínimo para sustentar a família.




















