O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), protagonizou um episódio constrangedor na manhã desta quinta-feira (13), durante a COP30, em Belém. Representantes do Projeto Ecomulheres, da ONG Alternativa Terra Azul, em parceria com o Ministério das Mulheres, além de marisqueiras de Paracuru (CE), abordaram o chefe do Executivo cearense para cobrar posicionamento sobre os impactos da expansão de empreendimentos eólicos e da carcinicultura nos territórios pesqueiros do litoral do estado.
O diálogo, iniciado de forma cordial, rapidamente ganhou tensão após as líderes comunitárias mencionarem a expressão “chuva de veneno”, termo usado para denunciar o uso de drones na pulverização de agrotóxicos que, segundo elas, estaria afetando comunidades tradicionais. A resposta de Elmano foi ríspida, elevando o tom e interrompendo uma das representantes — um comportamento que gerou estranhamento entre quem acompanhava a cena.
Diante da pressão e do clima de confronto verbal, o governador preferiu encerrar a conversa abruptamente e seguir com sua agenda no evento, deixando as representantes sem uma resposta concreta sobre as reivindicações.
O episódio expõe não apenas a fragilidade do diálogo entre o governo cearense e as comunidades atingidas por grandes projetos econômicos, mas também levanta uma reflexão necessária: se a mesma postura tivesse partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, qual seria a repercussão? A atitude de Elmano, vinda de um governo que se apresenta como defensor das minorias e do diálogo social, gera críticas de incoerência e evidencia o crescente tensionamento socioambiental no estado.
Enquanto movimentos comunitários denunciam impactos diretos em seus territórios, o governo tem adotado uma linha considerada por muitos como pouco aberta ao debate e excessivamente alinhada a interesses econômicos.
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