A tradicional camiseta branca com detalhes em azul, que compõe o fardamento da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco, ganhou um novo significado nas redes sociais. O uniforme, originalmente destinado ao uso escolar, vem sendo customizado por influenciadores e estudantes, tornando-se peça de moda em vídeos e publicações que viralizam em plataformas como TikTok e Instagram. O movimento, que nasceu nas periferias do Recife, tem despertado discussões sobre criatividade, identidade cultural e o uso adequado de bens públicos.

Customização de uniforme divide opiniões nas redes

A tendência ganhou força após uma influenciadora digital publicar um vídeo exibindo um look totalmente customizado com a camisa da rede estadual. O conteúdo chamou atenção pelo estilo ousado e provocou uma onda de comentários — muitos elogiando a originalidade e o resgate do orgulho periférico, enquanto outros criticaram a atitude por considerá-la desrespeitosa.

A estilista recifense Daylla Lisva, responsável pela criação, afirmou em entrevista ao LeiaJá que o uniforme foi adquirido em um brechó, e não retirado de estoques da rede pública.

“Usei um fardamento que já tinha sido descartado e ressignifiquei o material. A proposta é celebrar com orgulho e criatividade as nossas origens periféricas”, explicou.

Nas redes, a reação foi polarizada. “Espero que seja totalmente proibido usar isso nas escolas”, comentou uma internauta. “No Carnaval eu usava”, ironizou outra. Já uma usuária mais crítica desabafou: “Isso deveria ser crime. Entendo que é ‘meme’, mas nosso estado está virando piada”. Por outro lado, defensores da tendência minimizam a polêmica: “O povo se faz de doido, né? Todo mundo tá vendo que é brincadeira”, escreveu um seguidor.

Da estética periférica ao debate sobre verba pública

A customização começou de forma espontânea, quando estudantes e jovens criadores começaram a publicar vídeos de dança — especialmente de brega funk e passinho — usando o uniforme da rede estadual. A estética rapidamente se espalhou, transformando o fardamento em um símbolo de criatividade, pertencimento e resistência cultural.

Para o professor e pesquisador Thiago Soares, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), especialista em comunicação e cultura pop, o fenômeno reflete uma prática típica da juventude.

“O uniforme escolar é parte de uma estrutura que tenta disciplinar e domesticar o corpo. Customizar e ressignificar isso é uma forma de expressão cultural e afirmação identitária”, analisa.

Apesar do caráter artístico e social, o debate também envolve questões legais e éticas. Como o fardamento é um bem adquirido com recursos públicos, seu uso fora do contexto escolar levanta dúvidas sobre apropriação indevida e descarte irregular.

Enquanto o governo estadual ainda não se pronunciou sobre o caso, a camiseta azul e branca continua circulando nas redes — agora como um ícone de moda urbana, orgulho periférico e controvérsia social.

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