
A Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar uma denúncia de suposta ocultação de patrimônio atribuída ao prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), durante os registros de candidatura apresentados à Justiça Eleitoral nas eleições de 2022 e 2024.
A investigação foi aberta a pedido da 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza, após a divulgação de uma reportagem publicada pelo jornal O Otimista. O procedimento busca apurar se houve prática do crime de falsidade ideológica eleitoral, previsto no artigo 350 do Código Eleitoral, que trata da omissão ou inserção de informações falsas em documentos destinados à Justiça Eleitoral.
Segundo a denúncia, Evandro Leitão teria deixado de declarar uma mansão localizada no condomínio Alphaville Fortaleza, no município do Eusébio. O imóvel, construído sobre dois lotes unificados, teria sido adquirido e edificado em 2021, antes das eleições de 2022, mas não constaria nas declarações de bens apresentadas nas candidaturas de 2022 e 2024.
Além da residência, o inquérito também apura a aquisição de um apartamento de 212 metros quadrados, localizado no Edifício Maison Isabel, no bairro Aldeota, em Fortaleza. Conforme a denúncia, o imóvel teria sido adquirido em 2026 em nome de um dos filhos do prefeito, por meio da empresa SL Negócios Imobiliários LTDA, ligada à família.
No despacho que determinou a abertura da investigação, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) solicitou ainda que a Polícia Federal verifique se, durante a campanha eleitoral, Evandro Leitão utilizou o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral como argumento para reforçar uma imagem de simplicidade ou de possuir poucos bens.
Em 19 de junho, a Polícia Federal determinou o levantamento patrimonial de Evandro Leitão, de sua esposa e de seus filhos, além de solicitar documentos a órgãos públicos de Fortaleza e do Eusébio relacionados a registros imobiliários e ao pagamento de tributos incidentes sobre os imóveis investigados.
Até o momento, a instauração do inquérito representa a abertura de uma investigação para apuração dos fatos. Não há decisão judicial sobre o caso, e caberá à Polícia Federal reunir elementos que subsidiem a continuidade ou o eventual arquivamento das investigações. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa do prefeito sobre as denúncias.
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