
Durante a campanha presidencial de 2022, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva colocou a expressão “o brasileiro vai voltar a comer picanha e tomar cerveja” como um dos principais símbolos de sua proposta de recuperar o poder de compra da população. A promessa se transformou em uma das marcas da disputa eleitoral.
Quatro anos depois, a realidade encontrada por muitos brasileiros ainda está distante desse cenário. Apesar do reajuste do salário mínimo e da melhora de alguns indicadores econômicos, o preço da carne bovina continua elevado, dificultando o acesso de milhares de famílias a um dos alimentos mais tradicionais da mesa brasileira.
Em 2026, o salário mínimo nacional passou para R$ 1.621, o que representa uma remuneração diária de aproximadamente R$ 54,03, considerando a divisão por 30 dias.
Enquanto isso, em supermercados de Caucaia e Fortaleza, a picanha é comercializada, em média, entre R$ 88 e R$ 90 o quilo. Ou seja, um único quilo do corte pode custar mais do que um dia inteiro de trabalho de quem recebe um salário mínimo.
Mesmo cortes considerados mais populares continuam com preços elevados. Em levantamento realizado em estabelecimentos de Caucaia, a capa de contrafilé foi encontrada a partir de R$ 44 o quilo, valor que consome cerca de 80% da renda diária de um trabalhador assalariado.
Os números ajudam a explicar por que a carne bovina tem aparecido com menos frequência no prato de muitas famílias. Para quem precisa conciliar alimentação, aluguel, transporte, contas básicas e demais despesas do mês, comprar carne de primeira tornou-se um desafio cada vez maior.
A promessa da “picanha e da cerveja” ficou marcada como um símbolo da expectativa de melhora da qualidade de vida. Entretanto, para uma parcela significativa da população, especialmente entre os trabalhadores de menor renda, o preço da carne ainda impede que esse discurso se traduza em realidade no dia a dia.
Mais do que um debate político, os valores encontrados nos supermercados refletem um problema econômico que continua impactando diretamente o orçamento das famílias brasileiras e o poder de compra de quem depende do salário mínimo.



















