Além da dor de ter um filho hospitalizado, as mães que acompanham os seus nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Hospital Infantil Albert Sabin (Hias) ainda passam pelo desconforto de precisar dormir no chão e nos bancos da capela do Hospital. Aproximadamente 15 mulheres passavam por isso até esta última segunda-feira (30), quando as UTIs 1 e 3 foram danificadas pela chuva e os pacientes foram realocados. Já nesta sexta-feira (3), cerca de cinco pessoas ainda estão no lugar improvisado. 
 
Em busca de atendimento para a filha de quatro anos, que está com uma pneumonia grave, uma das mães – que preferiu não se identificar – percorreu mais de 100 quilômetros. “Quem mora aqui (em Fortaleza) consegue ir dormir em casa porque não são todas que aguentam dormir no chão. Nós que moramos no Interior não temos outra opção: a gente tem que dormir no chão para ficar perto dos nossos filhos”, relata.
 
Há mais de um mês nessa situação, a mãe comenta que a chuva não afetou apenas as unidades hospitalares. “Eu estou na Capela, que é onde ficam as mães da UTI, que também está alagada e a gente está dormindo no banco. Antes, nós estávamos dormindo no chão, mas como está muito alagado e quando chove molha tudo, a gente está dormindo nos bancos”. A mulher acrescenta que ela e outras mães precisam fazer a manutenção do local para evitar que os filhos não tenham nenhum outro tipo de infecção.
 
Também acompanhante, outra mulher – que optou por manter a identidade preservada – deixou de dormir na capela, lugar que considera ser muito ruim, por ter sido transferida para outro ponto do hospital. “Na nova emergência tem um quarto para o repouso das mães com TV, ar condicionado e colchões. As mães da UTI que estão lá dormem no repouso materno, mas as que ficaram no Sabin mesmo, da Tertuliano, dormem na capela”, explica.
 
A acompanhante também comentou sobre o profissionalismo na equipe médica, que foi rápida ao fazer a transição dos pacientes, mas avalia que a estrutura ainda é um obstáculo ao bem estar das mães. “Quando é cedinho e começa o movimento, querendo ou não, a gente precisa levantar. Sem contar que a capela é muito quente”, relata, ao lembrar dos dias que ficou no abrigo.
 
“Eu sempre me pergunto há quanto tempo, meu Deus, que esse povo dorme na capela. Há quantos anos isso acontece? Talvez o medo deles seja acabar com a questão de dormirem na capela, que ninguém denunciou, porque não tem quem consiga dormir longe do filho. Ainda mais quando a criança está (numa situação) mais delicada.” 

Hias

A assessoria do Hias informou que as mães têm a possibilidade de passar a noite – ou o dia – no Lar Amigos de Jesus ou na Casa Amigo de Jesus, lugares onde elas também podem fazer refeições. Segundo o Hospital, tem uma van que sai da unidade todos os dias e segue para os abrigos, porém muitas mães optam por ficar, mas não há estruturas para acomodá-las dentro das unidades.   

Por nota, o Hospital reforçou que o prazo para conclusão dos reparos na UTI é até esta terça-feira, 7. O Hias ainda ratifica que, assim que ocorreu o vazamento de água na segunda-feira, 30 de dezembro, foi iniciado o reparo imediato das instalações da UTI. Por medida de segurança, os pacientes foram realocados e acomodados em UTI do próprio Albert Sabin e do Hospital Waldemar de Alcântara, assim como em salas com capacidade para receber aparato de UTI no Hias.

Com os reparos da estrutura, estão sendo revisados rede elétrica, teto e calhas. Sobre o quadro clínico dos pacientes, “o Hias esclarece que é estável e todos estão sob os cuidados de equipe multidisciplinar”. 

Via Diário do Nordeste

Jornalista Ricardo Cavalcante
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