Produção limitada a 30% da capacidade, dispensa de funcionários e fechamento de fazendas. Este é cenário do setor que ganhou destaque no Ceará a partir da década de 2000 com a produção de flores e plantas ornamentais. Até o ano passado, o Estado ocupava a terceira posição no País na oferta de produtos de floricultura para o mercado interno, posto ameaçado, agora, pelas medidas de isolamento social determinadas pelo Governo do Estado em decorrência da pandemia pela Covid-19.

Isso porque o Ceará é o segundo Estado em número de casos e de mortes, perdendo apenas para São Paulo, e a estratégia mais eficaz, segundo o Governo, é o isolamento.

“A floricultura cearense vive, provavelmente, a maior crise de sua história”, avalia o empresário Gilson Gondim, presidente da Câmara Setorial de Flores e Plantas Ornamentais do Ceará. “A floricultura no Ceará tem como principal demanda eventos, festas e convenções. Com a pandemia e o isolamento social, esses eventos desapareceram”, lamenta Gondim.

Manutenção do básico

Para o empresário Roberto Reijers, que comanda o Grupo Reijers, o maior produtor de rosas do Brasil, a situação se agravou com a determinação de “suspender as atividades não essenciais”.

“Diferentemente de outros setores da economia, na produção agrícola de flores ou de hortaliças, não se pode simplesmente fechar a porta e voltar em um mês. Precisamos manter todos os serviços essenciais, como a irrigação, as estufas e os manejos. Nós não conseguimos baixar muito os custos porque os serviços precisam continuar a ser feitos”, explica o empresário.

O Grupo mantém duas fazendas no município de São Benedito, na Serra da Ibiapaba, distante 318 quilômetros de Fortaleza. Toda a produção é destinada ao mercado interno: 60% para eventos dos mais diversos, 30% para outras capitais, e 10% restantes para vendas em supermercados e floriculturas.

“Uma das fazendas foi fechada, estamos só com 30% da nossa produção. Estamos apostando no Dia das Mães para ganhar uma sobrevida”, aposta.

Exportação

Como o Ceará é um importante exportador dos produtos da floricultura, a pandemia – que é mundial – fez com que os países consumidores suspendessem a importação. “Com a demanda reprimida, a maior parte da produção vai para o lixo, o que está gerando uma situação insustentável, com o desemprego de pessoas. Um produtor importante de Ubajara desativou a sua produção e demitiu 150 pessoas”, lamenta Gondim.

A produção de flores brasileira já teve como um dos principais destinos o mercado exterior. O Ceará, entre 1997 e 2014, chegou a crescer mais de 300 vezes seu volume de exportação de flores e plantas ornamentais.

De 1997 a 2017, o valor exportado somou US$ 44,23 milhões e o importado US$ 5,61 milhões, gerando um superávit de US$ 38,62 milhões.

Segundo informa o presidente da Câmara Setorial de Flores e Plantas Ornamentais, a entidade tem procurado encontrar soluções para os produtos da floricultura diante das barreiras existentes hoje.

“Os setores da exportação começam a se movimentar porque a Holanda e a Alemanha já começaram a sair do isolamento e a demandar produtos. A dificuldade agora é a logística, uma vez que os voos diretos de Fortaleza para a França, Amsterdã e Estados Unidos deixaram de operar. Com isso, o custo do frete aumentou cinco vezes, pois se antes o trajeto entre Fortaleza e Amsterdã durava 10 horas, agora, são 40 horas para chegar à Holanda”, relata o empresário sobre a dificuldade de fazer os produtos chegarem aos principais destinos de exportação.

Dia das Mães

A esperança dos produtores para amenizar a situação são as vendas no Dia das Mães, no próximo domingo (10), e no Dia dos Namorados, em 12 de junho, datas sempre consideradas importantes para o setor de flores, tanto do Ceará como no restante do País.

“Para ganhar uma sobrevida, esperamos vender, pelo menos, 50% da nossa produção, que hoje está em 30% da capacidade”, explica o empresário Roberto Reijers.

Como sempre acontece anualmente, os produtores se planejaram para atender o Dia das Mães com meses de antecedência. “As plantas e as flores de corte são preparadas vários meses antes, enquanto algumas espécies de orquídeas, por exemplo, precisam ser cultivadas com um a dois anos de antecedência para que floresçam”, explica o presidente da Câmara Setorial.

Para a data, os produtores de itens de floricultura pressionaram o governador Camilo Santana para que liberasse as vendas por drive thru, o que foi negado diante das reivindicações semelhantes as do comércio lojista e da necessidade de endurecimento na regras de confinamento social, a fim de conter a proliferação do coronavírus.

Com isso, a solução para salvar parte da produção de flores continua sendo o delivery oferecido por grande parte de floriculturas, e as vendas em supermercados, que estarão abastecidos para atender a demanda dos consumidores no domingo (10).

Via Diário do Nordeste

Jornalista Ricardo Cavalcante
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