A Polícia Civil do Ceará investiga o furto de imunizantes contra a Covid-19 no município de Canindé, na Região Norte. No dia 22 de fevereiro último, dois frascos de CoronaVac, tendo 10 doses cada, foram levados do Centro de Saúde Chico Campos (CSCC), no Centro. Até a manhã desta terça-feira (16), 14 pessoas prestaram depoimento. 

Três funcionárias do equipamento público eram responsáveis pelas chaves da sala de vacinação. Contudo, após uma pane de energia no local, dois dias antes da ação criminosa, ficou acordado que as chaves passariam a ser deixadas em um suporte na recepção, onde todos os trabalhadores da unidade têm acesso.

“Elas deixaram a chave no chaveiro para que se tivesse alguma pane, a primeira que pudesse se deslocar mais rápido pudesse levar um técnico para que desse um jeito e o congelador voltasse a funcionar ou transferir essas vacinas em tempo hábil”, disse o delegado Daniel Aragão Mota, titular da Delegacia Regional de Canindé, ao Diário do Nordeste. 

As chaves tinham uma “cadeia de custódia” entre as três funcionárias também para “evitar que pessoas não autorizadas se vacinassem ou furtassem as vacinas”. A estratégia, porém, não impediu o crime. Ao deixar as chaves na recepção, não foi possível mais acompanhar quem tinha acesso.

“A recepção é um local onde todo mundo tem acesso. O chaveiro fica perto da porta. Dentro da recepção, é onde tem a água, o café, as chaves do banheiro… então, todo funcionário que trabalha lá tem acesso ao chaveiro”, conta o delegado. 

Desaparecimento

O furto ocorreu no dia 22 de fevereiro, após o fechamento da unidade. Isso porque, ao fim do expediente, os profissionais de saúde verificaram a quantidade de doses e “estava tudo batendo”, frisou o delegado. A falta das doses foi notada na manhã do dia seguinte, durante contagem inicial dos frascos. 

A prefeita de Canindé, Rozário Ximenes, disse à reportagem que ao ser informada do furto procurou de imediato a Delegacia Regional e ordenou que a Secretaria Municipal de Saúde colaborasse com a investigação, afim de encontrar o acusado. “Estamos preocupados e entregamos nas mãos da Polícia para investigar o caso”, ponderou.

Investigação

De acordo com Daniel, a fechadura da sala já passou por perícia para descartar “qualquer tipo de arrombamento” e focar “apenas em quem estava com a chave”. Imagens de casas vizinhas também foram recolhidas, mas a baixa qualidade e o posicionamento das lentes que “não conseguem ver quem entra e quem sai”, não trouxeram ganhos à investigação. 

Entre as 14 pessoas que compareceram à unidade policial para prestar depoimentos, estão enfermeiras, técnicas de enfermagem, coordenadoras, zeladores, vigia e recepcionistas. 

A apuração segue em andamento no sentido de chegar ao autor do furto. “Temos suspeitos, mas eu não vou dizer o nome porque a investigação ainda está muito superficial. Nós vamos nos aprofundar para poder ter 90% de certeza antes de divulgar nomes”, explicou Daniel Aragão Mota. 

O crime está enquadrado no artigo 312 do Código Penal Brasileiro (CPB) como peculato, ou seja, quando um funcionário público toma posse ou desvia dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel em proveito próprio ou alheio. A legislação prevê reclusão de dois a doze anos, e multa.

Via Diário do Nordeste

Jornalista Ricardo Cavalcante
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